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30 de março de 2016

chez b palacio de inverno

Peguei esse livro emprestado de um amigo, cujo gosto literário muito me agrada. Puxei ao acaso da estante dele e carreguei comigo para ler durante as férias – apesar de o post estar atrasadíssimo, li em janeiro. E foi só amor!

Palácio de Inverno é encantador. Com uma narrativa deliciosa em primeira pessoa por Geórgui Jachmenev, um russo que por ironias do destino vai trabalhar para o grande czar e sua família, a os capítulos passeiam alternadamente entre presente e passado. O pano de fundo percorre a Ingraterra de Thatcher, a Segunda Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique, na maior parte do tempo tendo a Rússia como cenário. Apesar da cronologia de idas e vindas, o livro não nos confunde, o que considero fundamental! Detesto ficar perdida na leitura, indo e voltando sem saber ao certo onde estou.

O romance central guarda um mistério – eu desvendei logo no início, mas não prejudica em absolutamente nada a leitura do livro – o qual reforça ainda mais o amor vivido entre os queridos personagens principais. O texto é muito bem construído, os personagens têm o dom de nos despertar os mais variados sentimentos, tornando-os inesquecíveis. Torcermos, vibramos, rimos, sofremos e até choramos com seus grandes momentos e dilemas. É detalhado e profundo, porém, nunca cansativo. Flui, simplesmente.

Palácio de Inverno é o primeiro livro que leio de John Boyne – o mesmo autor de O Menino do Pijama Listrado (vi apenas o filme) – e senti a imediata necessidade de ler outros livros do autor, tamanha a identificação que tive com sua escrita. Um livro fantástico, daqueles que não queremos largar, mas igualmente torcemos para não terminar, já prevendo a ressaca literária que nos aguarda.

 

 


Palácio de Inverno
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 456
Ano: 2010
Nota: 5 estrelas





30 de maio de 2014

malala

Malala é uma adolescente paquistanesa que, num país onde a educação feminina foi praticamente proibida, lutou por seu direito de ir à escola. Com uma família um tanto “moderna” para os padrões daquele país, desde criança Malala teve liberdade e o incentivo do pai, dono de uma escola, para lutar por seu direito ao conhecimento formal, tão secundário no Paquistão.

Tomado pelo Talibã, a vida no Vale do Swat, onde Malala vivia, tornou-se cada dia mais violenta e menos democrática. Ainda assim, Malala insistiu na luta por sua causa e, em 2012, foi baleada na cabeça em um atentado do grupo extremista islãmico. Quase como um milagre, ela sobreviveu. Hoje, aos 16 anos, recuperada, Malala vive no Reino Unido com sua família e continua defendendo o direito à educação, sendo inclusive a pessoa mais jovem a concorrer o Prêmio Nobel da Paz.

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Eu sou Malala é um livro incrível. Impressiona muito o contexto político tão ditatorial e antidemocrático do Paquistão, com sua população pobre, vivendo sob um regime extremamente autoritário, radical e bitolado em pleno século XXI. Não parece que vivemos no mesmo tempo. É como se a sociedade paquistanesa estivesse há anos-luz da evolução básica do ser humano globalizado. É um mundo a parte.

Sempre tive muito interesse pela cultura do Oriente Médio, pelo modo de vida da mulher muçulmana e esse livro é riquíssimo em detalhes acerca desses assuntos. E Malala é uma menina impressionante, com pensamentos e ideias fantásticas, uma jovem à frente de seu tempo e de seu “mundo”. Uma realidade quase oposta a nossa, ainda bem, mas que nos faz refletir e agradecer todos os dias por termos outra mentalidade.

Nós, seres humanos, não percebemos como Deus é grande. Ele nos deu um cérebro extraordinário e um coração amoroso e sensível. Abençoou-nos com  a capacidade de falar e expressar nossos sentimentos, dois olhos para ver um mundo de cores e beleza, dois pés que caminham pela estrada da vida, duas mãos que trabalham para nós, um nariz que aspira fragrâncias deliciosas e dois ouvidos para escutar palavras de amor.{p. 314}

Esse foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Biografia é meu gênero literário favorito e aliado a um assunto que muito me interessa, Eu sou Malala me marcou de verdade, foi daqueles livros que “economizei” as últimas páginas para que demorasse a terminar!

 

 

eu sou malala