início Ela Livros
Blogroll Contato


30 de março de 2016

chez b palacio de inverno

Peguei esse livro emprestado de um amigo, cujo gosto literário muito me agrada. Puxei ao acaso da estante dele e carreguei comigo para ler durante as férias – apesar de o post estar atrasadíssimo, li em janeiro. E foi só amor!

Palácio de Inverno é encantador. Com uma narrativa deliciosa em primeira pessoa por Geórgui Jachmenev, um russo que por ironias do destino vai trabalhar para o grande czar e sua família, a os capítulos passeiam alternadamente entre presente e passado. O pano de fundo percorre a Ingraterra de Thatcher, a Segunda Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique, na maior parte do tempo tendo a Rússia como cenário. Apesar da cronologia de idas e vindas, o livro não nos confunde, o que considero fundamental! Detesto ficar perdida na leitura, indo e voltando sem saber ao certo onde estou.

O romance central guarda um mistério – eu desvendei logo no início, mas não prejudica em absolutamente nada a leitura do livro – o qual reforça ainda mais o amor vivido entre os queridos personagens principais. O texto é muito bem construído, os personagens têm o dom de nos despertar os mais variados sentimentos, tornando-os inesquecíveis. Torcermos, vibramos, rimos, sofremos e até choramos com seus grandes momentos e dilemas. É detalhado e profundo, porém, nunca cansativo. Flui, simplesmente.

Palácio de Inverno é o primeiro livro que leio de John Boyne – o mesmo autor de O Menino do Pijama Listrado (vi apenas o filme) – e senti a imediata necessidade de ler outros livros do autor, tamanha a identificação que tive com sua escrita. Um livro fantástico, daqueles que não queremos largar, mas igualmente torcemos para não terminar, já prevendo a ressaca literária que nos aguarda.

 

 


Palácio de Inverno
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 456
Ano: 2010
Nota: 5 estrelas





27 de fevereiro de 2016

Ano passado li Regras da Comida e virei praticamente uma discípula de Michael Pollan. Já tinha ouvido falar do autor, mas descobri o livro mesmo por indicação da Rita Lobo, num dos posts do Panelinha. Comida é um assunto que me interessa em todos os aspectos: do modo de preparo aos benefícios e malefícios dos alimentos para o nosso corpo. Aí que numa dessas compras de livros sobre o assunto, adicionei minha primeira leitura do jornalista, pesquisador, escritor, ativista e mega expert em comida e amei super!

Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida.

Não é um livro de receitas, não é um livro complexo, não é um manual inatingível acerca de um padrão impossível. Não. É um livrinho pequeno, fino, de letras grandes, mas muita sabedoria sobre algo vital: alimentação. É um verdadeiro manual de sabedoria alimentar.

chez b cooked as regras da comida michael pollan 03

São 64 regras simples sobre esse tema fundamental que, sem exageros e sem imposições, nos sugere maneiras simples e toques básicos de como ter uma nutrição mais adequada, criticando a indústria alimentícia com total coerência. Cada regra acompanha um texto explicativo que, tenho certeza, vai te convencer a cumprir cada aspecto. Isso sem forçar a barra! Eu me surpreendi com o tanto de conteúdo útil em tamanha simplicidade e me apaixonei pelas sacadas de Michael Pollan.

Coma todas as besteiras que quiser, desde que você mesmo as cozinhe.

Então, pensa o quanto fiquei enlouquecida quando vi que o Netflix lançaria Cooked! A série documental do autor do meu novo guia alimentar tem 4 episódios: Fogo, Água, Ar e Terra. A proposta pareceu super animadora e contei os dias para o lançamento, só que… me decepcionei. O documentário é super bem produzido, impecavelmente filmado, mas a abordagem é muito diferente do que eu imaginava.

chez b cooked as regras da comida michael pollan 02

Esperava uma produção com técnicas culinárias, um reforço à crítica sobre a indústria alimentícia e uma conexão maior com o Regras da Comida. Tais aspectos são o de menos no conteúdo da série. Tem um pouco sim, mas passa quase despercebido. O foco é bem histórico e antropológico, sempre destacando a visão de um povo específico, o que torna bastante cansativo. Cada episódio tem cerca de 1h e confesso que em alguns momentos foi bem desinteressante continuar assistindo. Porém, repito: é um série bem feita, merece ser vista por quem curte o tema, mas sem muita pretensão e expectativa.

Alguém mais já assistiu? O que achou? Me contem!


Regras da Comida
Autor: Michael Pollan
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
Ano: 2010
Nota: 5 estrelas





2 de janeiro de 2016

Todos os anos traço uma meta de livros a serem lidos no Skoob e, desde o ano retrasado, posto aqui a lista de lidos do ano, com link para a resenha e nota! Ao fazer a lista de 2015, constatei duas coisinhas que me deixaram super feliz: ultrapassei a meta de 20 livros estipulados (foram 24) e resenhei praticamente todos – faltou apenas um, Regras da Comida, que foi o último livro lido ano passado e ainda não consegui fazer a resenha! E, apesar de ter lido vários young adult- em razão da parceira com a Editora Galera Record – adorei grande parte das escolhas, com atribuição de nota máxima para a maioria! Resumindo, em termos de leitura, 2015 foi um ano absolutamente feliz!

chez b livros lidos 2015 01

 A Seleção
Kiera Cass
Nota: 5
 
A Elite
Kiera Cass
Nota: 5
 
A Escolha
Kiera Cass
Nota: 5
 
A Herdeira
Kiera Cass
Nota: 4
 
365 Dias Extraordinários
P.J. Palacio
Nota: 5
 
Extraordinário
P.J. Palacio
Nota: 5
 
Dois Garotos se Beijando
David Levithan
Nota: 3
 
Garota Online
Zoe Sugg
Nota: 5
 
chez b livros lidos 2015 02
 
À Procura de Audrey
Sophie Kinsella
Nota: 5
 
Cinderela Pop
Paula Pimenta
Nota: 4
 
Ela não é invisível
Marcus Sedgwick
Nota: 4
 
Amy & Matthew
Cammie McGovern
Nota: 5
 
Simplesmente Ana
Marina Carvalho
Nota: 5
 
De Repente, Ana
Marina Carvalho
Nota: 5
 
Elena, a filha da princesa
Marina Carvalho
Nota: 5
 
A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert
Joël Dicker
Nota: 5
 
chez b livros lidos 2015 03
 
 
Mar de Rosas
Nora Roberts
Nota: 2
 
Regras da Comida
Michael Pollan
Nota:
 
Simples Assim
Martha Medeiros
Nota: 5
 
Um Dia
David Nicholls
Nota: 5
 
Para Onde Ela Foi
Gayle Forman
Nota: 4
 
Uma História de Amor e TOC
Corey Ann Haydu
Nota: 3
 
Rich e Mad
William Nicholson
Nota: 3
 
Síndrome Psíquica Grave
Alicia Thompson
Nota: 4





21 de outubro de 2015

chez b. resenha a verdade sobre o caso harry quebert

No mês passado, a Nádia do Além do Livro, me convidou para participar da seção Eles recomendam!, em que colaboradores e um convidado especial indicam um livro bacana para os leitores da Ná. Eu sugeri o que eu havia acabado de ler, A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, algo bem diferente das minhas leituras atuais. E, apesar de ter linkado o post aqui, acabei esquecendo de trazer a resenha para o blog.

Comprei A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert de presente para o meu marido, já que se trata de um suspense policial, gênero que ele adora e eu nem tanto. Porém, após devorar o livro freneticamente, ele fez coro com a Lola (que havia indicado a leitura) e com a Ju (que leu e amou), na insistência de que eu deveria ler a todo custo! Meio contrariada, mas muito curiosa, encarei o dito e… amei!

O livro conta a história do grande escritor Marcus Goldman que, num período de bloqueio criativo, sai de Nova York rumo à Aurora, uma pequena e pacata cidade no interior de New Hampshire, onde vive seu amigo e mestre Harry Quebert. Lá, descobre que 33 anos antes, o admirado Harry, aos 34 anos, relacionou-se secretamente com Nola, uma garota de 15 anos. Naquele período, Nola desapareceu sem deixar rastros. Entretanto, seus restos mortais são encontrados enterrados no jardim de Harry, motivo pelo qual ele passa a ser acusado de assassinato. Intrigado, Marcus inicia uma grande investigação sobre o caso, a fim de desvendar o imenso mistério sobre o assassinato da jovem.

Com enredo fácil e fluido, A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert é daqueles livros que nos prendem do começo ao fim, instigando o leitor desde os primeiros capítulos, mantendo o ritmo até o surpreendente e inimaginável final.  Todos os fatos são esclarecidos e apesar do minucioso relato, o autor não deixa fios soltos, isso foi uma das coisas que eu mais gostei na leitura. Ah, e quando você acha que todos os mistérios foram desvendados, tem mais uma surpresinha por vir, pode acreditar! Super indico!

chez b. resenha a verdade sobre o caso harry quebert 01





9 de outubro de 2015

Você não é o que você faz para ganhar dinheiro, você é o que você faz para ser feliz. {p. 30}

Como nunca falei do meu amor por Martha Medeiros aqui, hoje vou contar pra vocês.

Fui apresentada à escrita dessa gaúcha quando tinha lá meus 16 anos, o que já faz quase 15. O amor foi imediato e, desde então, ela tomou um papel importantíssimo na minha vida: o de escritora favorita. Tenho todos os livros, li todas as crônicas, os romances e – até – as poesias. Relatos de viagem? Lógico! Colunas de jornal? Porque só uma por semana? Cresci lendo e refletindo sobre seus textos, suas palavras, traduções de realidades cotidianas, análises, vivências e aleatoriedades. Chorei paixões, destaquei trechos, indiquei textos, vi muito de mim em um pouco dela. Por diversas vezes, tive a sensação de que ela invadia minha mente para escrever seu texto.

Nossa dor existencial vem também do quanto levamos a sério o que dizem os outros, o que fazem os outros e o que pensam os outros – uma insanidade, pois quem é que realmente sabe o que pensam os outros? Pensamos no lugar deles e sofremos por esse pensamento imaginado. Nossa dor existencial vem dessa transferência descabida. {p. 61}

Cerca de 15 anos depois, a admiração só cresce, a inspiração é cada vez maior e a identificação – praticamente total – assim permanece. Que Marthinha (minha bff platônica) siga escrevendo sobre cotidiano, amores, experiências, liberdades, banalidades e fazendo com que minhas questões mais complexas tornem-se mais leves com suas respostas.

Como de costume, Simples Assim é um livro de crônicas reunidas, assinadas por Martha e publicadas nos jornais O Globo e Zero Hora, ao longo dos anos de 2013, 2014 e parte de 2015. Com grande parte de textos excelentes e outros poucos nem tanto – realidade seja dita, com a ressalva que os “nem tanto” são minimamente bons – é aquela leitura de uma tarde ou de uma semana, depende da sua vontade. O motivo? As crônicas são curtas e independentes, não exigindo nossa atenção total e exclusiva por muito tempo – isso pode ser pedir demais nos dias de hoje.

Felicidade é ter consciência de que estar apto para o sentimento é um privilégio, e que quando estou melancólica, nostálgica, introvertida, decepcionada, isso também é uma conexão com o mundo, isso também traz evolução, aprendizado. {p.89}

Recomendo de olhos fechados, até mesmo aos que não curtem muito esse gênero literário. Pois, mais que um livro, Simples Assim é uma conversa gostosa que todos merecem ter.

chez b martha medeiros simples assim resenha 02